O objetivo do artigo é relacionar a questão da infância com a indagação proposta por Margarida Souza Neves acerca das cartografias simbólicas, que parecem estar localizadas nos textos que alguns cronistas formularam sobre a cidade do Rio de Janeiro, em diálogo com as reformas médico-higienistas que ocorreram na cidade, no início do século XX. As referências foram selecionadas no acervo do Real Gabinete Português de Leitura, por meio de buscas com o descritor “infância”. Nesse levantamento, destacaram-se dois intelectuais que orientaram a pesquisa: o cronista João do Rio (1881-1921), especialmente com o texto Crianças que matam (1909), e o médico Arthur Moncorvo Filho (1871-1944), com o Histórico da proteção à infância no Brasil (1500-1922) (1927). A análise das produções desses autores sustentou a hipótese de que, à época, a proteção e a assistência à infância constituíam uma urgência social, evidenciando a relevância das investigações nesse campo. Assim a valorização das obras preservadas na Brasiliana do Real Gabinete Português de Leitura resultou numa reflexão transdisciplinar do tema ainda hoje urgente e necessário.
This article examines childhood in connection with Neves’s question about the symbolic cartographies left by chroniclers of Rio de Janeiro, in light of the medical-hygienist reforms of the early twentieth century. Based on sources from the Royal Portuguese Reading Room, the study focuses on João do Rio’s Children who kill (1909) and Arthur Moncorvo Filho’s History of child protection (1500-1922) (1927). The analysis suggests that the protection and care of children were pressing issues at the time, reinforcing the importance of continued research and offering a transdisciplinary reflection on the enduring urgency of the theme.