O artigo analisa a cobertura midiática sobre dois casos de lesbocídio: o de Tatiana Luz da Costa Faria e de Fernanda Bonin. O primeiro ocorreu em 2019, na cidade de Santa Maria, e o segundo, por sua vez, em 2025, em São Paulo. Em ambos os casos ex-companheiras estavam diretamente envolvidas nos crimes, como autora e como mandante, respectivamente. O objetivo é compreender o modo como as narrativas jornalísticas atuam na constituição de sentidos sobre as lesbianidades, que podem reforçar vulnerabilidades e estigmas, bem como entender como a dissidência é acionada em casos em que uma mulher é a perpetradora da violência. Para realizar a análise, nos inspiramos no protocolo metodológico de Análise de Cobertura Jornalística de Gislene Silva e Flávia Dourado Maia, e observamos aspectos como títulos e linhas finas, informações presentes sobre as vítimas e fontes acionadas em cada uma das matérias. Como resultado, notamos que as coberturas dos crimes são reducionistas e não permitem avançar em uma conscientização nem com relação às violências a que lésbicas estão submetidas, nem sobre as especificidades dos casos de violência entre mulheres.
The article analyzes media coverage of two cases of lesbicide: those of Tatiana Luz da Costa Faria and Fernanda Bonin. The first occurred in 2019, in the city of Santa Maria, and the second in 2025, in São Paulo. In both cases, former partners were directly involved in the crimes, as perpetrator and instigator, respectively. The objective is to understand how journalistic narratives contribute to the construction of meanings about lesbianism, which can reinforce vulnerabilities and stigmas, as well as to understand how dissent is triggered in cases where a woman is the perpetrator of violence. To carry out the analysis, we drew inspiration from the methodological protocol of Journalistic Coverage Analysis by Silva and Maia, and observed aspects such as headlines and fine lines, information about the victims, and sources used in each of the articles. As a result, we noted that the coverage of crimes is reductionist and does not allow for progress in raising awareness either about the violence to which lesbians are subjected or about the specificities of cases of violence between women.