Este artigo investiga a “lacuna ética” na pesquisa educacional brasileira mediante análise de 181 teses de doutorado defendidas entre 2020 e 2022 em uma universidade pública. Fundamentado na ontologia marxiano-lukacsiana, o estudo compreende a ética como complexo de valores que medeia a relação indivíduo-comunidade, constituindo marca ontológica da condição humana. Adotando método misto com procedimento concomitante, a pesquisa revela que 23,93% das teses que demandavam procedimentos éticos específicos não os adotaram, configurando uma lacuna preocupante em pesquisas de alto risco. A análise qualitativa aprofundada evidencia cinco dimensões críticas: a persistência da lacuna ética em contextos de vulnerabilidade; a libertação do monopólio biomédico pela Resolução CNS 510/2016; a necessidade de ética além dos “sujeitos humanos”; a onda de choque metodológica de 2022 (impacto da pandemia COVID-19); e a ética como problema de formação, não mero formulário. Numa era de “publicar ou perecer”, o estudo questiona se pressões do produtivismo acadêmico justificam negligenciar a ética, concluindo pela urgência de uma ciência socialmente responsável que reconheça a ética como práxis formativa e não como obstáculo burocrático.