O presente artigo busca identificar as candidaturas de mulheres negras nas eleições proporcionais de 2018 como parte de um projeto coletivo, amplo e contínuo de emancipação e transformação social que tem orientado as experiências de organização e de resistência das mulheres negras desde o período da escravidão, até os atuais movimentos feministas negros. A partir dessa premissa, nos propomos a realizar uma breve revisão bibliográfica da literatura sobre o feminismo negro pra então conhecer, elencar e interpretar, a partir dessa revisão, as ações de campanha de candidatas negras aos pleitos proporcionais em 2018 que aderiram a uma proposta de coletivização dos mandatos. Nesse sentido, a morte violenta e prematura da vereadora Marielle Franco é vista, ao mesmo tempo, como tentativa de interrupção brusca desse projeto, e como gérmen de uma ação político-institucional inovadora, que preza pela participação coletiva, pela identidade racial e de gênero e pela ruptura com as formas tradicionais do fazer político.