“Minha pele transformou-se em porcelana, em marfim, em aço”: Sansa Stark e o feminino em Westeros

Lumina

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Site: https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina
Telefone: (32) 2102-3601
ISSN: 19814070
Editor Chefe: Gabriela Borges Martins Caravela
Início Publicação: 31/05/2007
Periodicidade: Quadrimestral
Área de Estudo: Comunicação

“Minha pele transformou-se em porcelana, em marfim, em aço”: Sansa Stark e o feminino em Westeros

Ano: 2026 | Volume: 20 | Número: Não se aplica
Autores: Felipe Viero Kolinski Machado Mendonça, Ana Carolina Fonseca Carvalho
Autor Correspondente: Felipe Viero Kolinski Machado Mendonça | [email protected]

Palavras-chave: As Crônicas de Gelo e Fogo, Game of Thrones, Sansa Stark, gênero, análise crítica cultural da mídia, A Song of Ice and Fire, gender, critical cultural analysis of media, Canción de hielo y fuego, Juego de Tronos, análisis crítico de los medios culturales.

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O objetivo central deste texto é, a partir de determinados instantes da trajetória de Sansa Stark, uma das protagonistas das narrativas literárias de As Crônicas de Gelo e Fogo (1996-2011, de George R. R. Martin) e audiovisual de Game of Thrones (2011-2019, criada por David Benioff e D. B. Weiss), observar os sentidos que se estabelecem em torno do feminino. Para tanto, empreendemos uma análise crítica cultural da mídia, ancorada em estudos de gênero e investigações que também estudaram a personagem. Localizamos, então, três imagens que dizem dos caminhos percorridos por Sansa que, ao longo de cinco livros e de oito temporadas, parece atualizar o imaginário em torno da princesa, frágil e passiva e que, após enfrentar uma sorte de malogros, torna-se capaz de ser rainha. Como a menina/a princesa, Sansa é corpo jovem, feminino e dócil, que performa uma feminilidade hegemônica e que atende às expectativas que lhes são impostas em um mundo masculino/comandado por homens. Como a jovem/a vítima, Sansa é corpo vulnerável, à mercê de uma série de violências masculinas, que precisa ser martirizado em um ritual de amadurecimento, deixando de ser um passarinho para, de fato, tornar-se adulta. Como a mulher/a rainha, Sansa passa a ser corpo que tem controle sobre si, assumindo uma posição ativa no que tange os caminhos que irá percorrer e que é apto a comandar enquanto soberana (Rainha do Norte), ainda que em um mundo masculino. Constatamos, ao fim, a agência de lógicas patriarcais, que tanto a narrativa literária quanto o seriado apontam para possibilidades e impossibilidades de existência do feminino em Westeros e, também, em nossa sociedade não ficcional.



Resumo Inglês:

The central objective of this text is based on selected moments from the trajectory of Sansa Stark –, one of the protagonists of the literary narratives of A Song of Ice and Fire (1996-2011, by George R. R. Martin) and the audiovisual series Game of Thrones (2011-2019, created by David Benioff and D. B. Weiss) – to examine the meanings constructed around femininity. To this end, we undertake a critical cultural analysis of the media, anchored in gender studies/research that also studied the character. We then locate three images that reflect the paths taken by Sansa, which, over the course of five books and eight seasons, seems to update the imaginary surrounding the fragile and passive princess who, after facing a series of setbacks, becomes capable of being queen. As a girl/princess, Sansa is a young, feminine, and docile body, performing a hegemonic femininity and meeting the expectations imposed on her in a masculine world ruled by men. As a young/victim, Sansa is a vulnerable body, at the mercy of a series of male violences, which must be martyred in a maturation ritual, ceasing to be a little bird and, in fact, becoming an adult. As a woman/queen, Sansa becomes a body in control of herself, taking an active role in the paths she will take, and capable of commanding as sovereign (Queen in the North), albeit in a masculine world. Ultimately, we observe the agency of patriarchal logics, as both the literary narrative and the television series point to the possibilities and impossibilities of feminine existence in Westeros and, likewise, in our nonfictional society.



Resumo Espanhol:

El objetivo central de este texto es observar, desde momentos específicos de la trayectoria de Sansa Stark, una de las protagonistas de las narrativas literarias de Canción de Hielo y Fuego (1996-2011, de George R. R. Martin) y la serie audiovisual Juego de Tronos (2011-2019, creada por David Benioff y D. B. Weiss), los significados que se construyen en torno a lo femenino. Para ello, realizamos un análisis cultural crítico de los medios, anclado en estudios de género e investigaciones que también han estudiado al personaje. Luego, localizamos tres imágenes que hablan de los caminos recorridos por Sansa, quien, a lo largo de cinco libros y ocho temporadas, parece actualizar el imaginario que rodea a la princesa, frágil y pasiva, y que, tras enfrentar una serie de reveses, se vuelve capaz de ser reina. Al igual que la princesa, Sansa es un cuerpo joven, femenino y dócil que representa una feminidad hegemónica y cumple con las expectativas que se le imponen en un mundo masculino regido por hombres. Al igual que la joven víctima, Sansa es un cuerpo vulnerable, a merced de una serie de violencias masculinas, que debe ser martirizado en un rito de iniciación, dejando de ser un pajarito para convertirse en un adulto de verdad. Como la reina, Sansa se convierte en un cuerpo que se controla a sí mismo, asumiendo una posición activa respecto a los caminos que tomará y capaz de mandar como soberana (Reina del Norte), incluso en un mundo masculino. En definitiva, observamos la influencia de las lógicas patriarcales, a las que tanto la narrativa literaria como la serie apuntan en relación con las posibilidades e imposibilidades de la existencia de lo femenino en Westeros y también en nuestra sociedad real.