“O sexo é impenetrável”

Cadernos de Gênero e Diversidade

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ISSN: 25256904
Editor Chefe: Felipe Bruno Martins Fernandes
Início Publicação: 31/12/2015
Periodicidade: Trimestral
Área de Estudo: Ciências Humanas, Área de Estudo: Antropologia, Área de Estudo: Sociologia, Área de Estudo: Multidisciplinar, Área de Estudo: Multidisciplinar

“O sexo é impenetrável”

Ano: 2023 | Volume: 9 | Número: 3
Autores: W. A. Quevedo
Autor Correspondente: W. A. Quevedo | [email protected]

Palavras-chave: Sexualidade, Autoria, Mário de Andrade

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Partindo de uma observação instigante de José Miguel Wisnik sobre a carta em que Mário de Andrade fala de sua homossexualidade a Manuel Bandeira, o texto pretende discutir algumas estratégias discursivas de elaboração e enunciação da sexualidade em regimes de rechaço da dissidência. O caso suscita a hipótese de um desejo de poder que opera pela extirpação do dado incontornável da sexualidade para pessoas queer que articulam seus projetos em função de uma autoria, sobretudo quando a posterior narrativa histórico-filosófico-literária visa ao enquadramento dessa autoria num cânone. A revelação tardia da carta jogou luz sobre um ambiente em que o rechaço aparece como justificativa de um desejo de sigilo, com a presunção de salvaguarda jurídica da memória e da história. O caso pode ser pensado como um progressivo e eloquente apagamento das marcas localizadas de sujeito de um cânone no estabelecimento do que deixa como legado. Se “o sexo é impenetrável”, na expressão de Wisnik, isso também diz da opacidade daquilo que é capturado na interpretação de obras articuladas por sujeitos dissidentes investidos na função de autor. Ao final, descobre-se a bem-sucedida estratégia poética de Mário de Andrade, que manipula o silêncio para dizer de si o que é interditado pelo discurso.