Os métodos canônicos do Jornalismo, como pesquisa documental e entrevista, são centrais ao ofício no cumprimento do seu papel junto à sociedade e à democracia. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é demonstrar a ocorrência de “pós de verdade” (Zamith, 2019) gerados pela lógica do “jornalista sentado” (Neveu, 2006) na relação entre a produção de relises pela assessoria de comunicação do governo do estado de Mato Grosso e a veiculação de matérias sobre o referido órgão público no site jornalístico FolhaMax. Para tanto, tendo como recorte temporal da pesquisa os 31 dias do mês de janeiro de 2023, lançamos mão da análise de conteúdo (Bardin, 2002) enquanto método de investigação, em vertente qualitativa e quantitativa. A partir deste substrato metodológico, discriminamos cinco categorias analíticas, quais sejam: título; linha fina; assinatura; conteúdo (foto e texto) e crédito
(autoria). Observamos uma alta incidência de reprodução dos relises, pressupondo a prática do “jornalista sentado” e do jornalismo declaratório e descontextualizado. Com isso, ao transformar o relise em conteúdo publicável, em vez de sugestão de pauta, o jornalismo, seja por escassez de recursos, precarização do trabalho, déficit técnico ou falência deontológica, compromete a cidadania e a lógica democrática.
Canonical methods of journalism, such as documentary research and interviews, are central to the profession in fulfilling its role within society and democracy. In this sense, the aim of this study is to demonstrate the occurrence of “truth dust” (Zamith, 2019) generated by the logic of the “sitting journalist” (Neveu, 2006) in the relationship between the production of press releases by the communications department of the state government of Mato Grosso and the dissemination of articles about this public agency on the journalistic site FolhaMax. To achieve this, using the 31 days of January 2023 as the timeframe for the research, we employed content analysis (Bardin, 2002) as our investigative method, both qualitatively and quantitatively. Based on this methodological substrate, we identified five analytical categories: headline; subheadline; byline; content (photo and text); and credit (authorship).
We observed a high incidence of reproduction of press releases, implying the practice of the “sitting journalist” and declarative and decontextualized journalism. By turning the press release into publishable content rather than a story suggestion, journalism—whether due to resource scarcity, job precariousness, technical deficits, or ethical failures—compromises citizenship and democratic logic.