Este artigo trata de discursos recentes sobre a venda de rua senegalesa na cidade de Porto Alegre (RS). O objetivo é descrever como tal presença pública e irregular é situada por diferentes atores sociais cotidianos em um ordenamento específico entre classificações de nacionalidade, raça e classe. Para além de uma matéria jornalística representativa, o universo empírico investigado é formado por vivências etnográficas em observação participante e conversas informais com vendedores de rua senegaleses, integrantes da Associação dos Senegaleses de Porto Alegre, e habitués das calçadas em que trabalham os imigrantes informais. Em suma, no contexto analisado, proponho que a presença senegalesa no comércio de rua é comumente narrada como sintoma e causa naturais da ilicitude do ofício na cidade, um epifenômeno da economia informal cuja essência obscura, fechada e irresponsável é comparada a desses imigrantes negros vítimas individualizadas e, paralelamente, agentes de algo que escondem.
This article deals with recent discourses about the Senegalese street trade in Porto Alegre (RS). The objective is to describe how this public and irregular presence is situated by different everyday social actors in a specific framework formed by classifications of nationality, race, and class. In addition to a journalistic article, the empirical universe investigated is constituted by ethnographic experiences in participant observation and informal conversations with Senegalese street vendors, members of the Senegalese Association of Porto Alegre, and habitués of the sidewalks where the informal immigrants work. Summarily, in the analyzed context, I propose that the Senegalese presence in street trade is frequently portrayed as a natural symptom and cause of the occupation’s illegality in the city, an epiphenomenon of the informal economy whose obscure, closed and irresponsible essence is compared to that of such black immigrants as individualized victims and, in parallel, agents of something they hide.