“Tem que ser bagual, tem que pegar boi pelo pescoço”

Cadernos de Gênero e Diversidade

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Universidade Federal da Bahia | Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas | Grupo de Estudos Feministas em Política e Educação - Estrada de São Lázaro, 197 - Federação
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Site: https://portalseer.ufba.br/index.php/cadgendiv/index
Telefone: (71) 98482-6446
ISSN: 25256904
Editor Chefe: Felipe Bruno Martins Fernandes
Início Publicação: 31/12/2015
Periodicidade: Trimestral
Área de Estudo: Ciências Humanas, Área de Estudo: Antropologia, Área de Estudo: Sociologia, Área de Estudo: Multidisciplinar, Área de Estudo: Multidisciplinar

“Tem que ser bagual, tem que pegar boi pelo pescoço”

Ano: 2024 | Volume: 10 | Número: 3
Autores: D. S. Stack
Autor Correspondente: D. S. Stack | [email protected]

Palavras-chave: masculinidades, homossexualidades, interior, aplicativos de relacionamento

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa de mestrado que utilizou a etnografia digital para investigar o aplicativo Grindr, uma plataforma de geolocalização voltada para encontros sexuais entre homens. A pesquisa focou na vivência de quatro jovens universitários, com idades entre 24 e 27 anos, residentes em Santa Maria e oriundos de cidades menores ou zonas rurais do Rio Grande do Sul. A investigação evidenciou como esses jovens aprenderam sobre a masculinidade em seus contextos familiares, escolares e sociais em suas cidades de origem, e ainda, como tais vivências impactam seus usos em aplicativos de relacionamento. A pesquisa expôs semelhanças e diferenças nas trajetórias dos interlocutores, destacando a influência de sua origem no "interior" sobre suas compreensões de gênero e sexualidade, onde elementos da cultura campeira são centrais na construção do conceito de masculinidade no interior gaúcho. O termo bagual, que descreve um homem arisco e valente, exemplifica um ideal de masculinidade vinculado ao trabalho rural e à pecuária, predominante entre os participantes oriundos das zonas rurais. A pesquisa também analisou como esses jovens navegam entre diferentes contextos — sua cidade de origem, a cidade universitária e a plataforma do Grindr — e como utilizaram códigos de masculinidade de maneira estratégica no aplicativo para formar e gerenciar suas identidades sexuais e de gênero.