“Não deixem proibir o plantio de árvores em casa Você pode produzir o seu próprio oxigênio O futuro é lindo com um pássaro sem asas, O nosso futuro será lindo como um arco-íris que se forma na poça de uma água suja de óleo O futuro é um jovem maníaco viciado em videogames O futuro já foi e continua sendo, O futuro é uma criança com medo de nós O futuro é uma criança com medo de nós. (Edgar, música: “Plástico”. 2018) A canção do rapper afrofuturista Edgar nos traz uma passagem apocalítica do futuro, potencializados no videoclipe oficial passado numa periferia coberta de lixos tecnológicos, a expectativa posta é a do “futuro é a uma criança com medo de nós” e, em alguma circunstância da herança que o discurso do progresso técnico nos impeliu, a representação da criança talvez nos mostre a ponta de nossa condição humana, onde depositamos as possibilidades vislumbradas dentro de nossa temporalidade. Neste ensaio, me preocupei com a temporalidade e com como a condição humana do sujeito está inserida em 2019, no século que presenciou a solidificação das redes e do uso tecnológico cotidianamente. Para isso, tomei como referência Hannah Arendt, as perspectivas futuristas da ficção científica, especificamente o filme Blade Runner, e as discussões a respeito do transhumanismo ou pós-humanismo.