Acessibilidade linguística no atendimento à saúde: percepções de estudantes surdos do INES sobre a comunicação com profissionais do SUS

Revista Arqueiro

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ISSN: 2966-4098
Editor Chefe: Wilma Favorito
Início Publicação: 02/01/2000
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Educação, Área de Estudo: Letras, Área de Estudo: Linguística, Área de Estudo: Multidisciplinar

Acessibilidade linguística no atendimento à saúde: percepções de estudantes surdos do INES sobre a comunicação com profissionais do SUS

Ano: 2025 | Volume: Especial | Número: 49
Autores: Elaine Francisca dos Santos
Autor Correspondente: Elaine Francisca dos Santos | [email protected]

Palavras-chave: Surdez; Acessibilidade; Libras; Comunicação em saúde; Decreto 5.626/2005

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Este artigo analisa as barreiras comunicacionais enfrentadas por pessoas surdas
nos serviços públicos de saúde, com base nas percepções de estudantes do Instituto
Nacional de Educação de Surdos (INES) sobre o atendimento recebido
no Sistema Único de Saúde (SUS) e na Divisão Médica e Odontológica da instituição
(DIMO/INES). A pesquisa adotou abordagem quanti-qualitativa, de
caráter descritivo-analítico, por meio da aplicação de questionários estruturados
a 50 estudantes surdos usuários do SUS, com 18 anos ou mais. Os resultados evidenciam
profunda desigualdade comunicacional: 98% dos participantes desconhecem
o Decreto nº 5.626/2005 e 100% afirmam que os profissionais de saúde
que os atenderam não possuem domínio da Língua Brasileira de Sinais (Libras),
com a presença de intérprete nos serviços praticamente inexistente. A comparação
entre os contextos de atendimento evidencia contraste significativo: na
DIMO/INES, todos os estudantes relataram compreensão adequada de suas
queixas, enquanto no SUS apenas três indicaram entendimento satisfatório por
parte dos profissionais. Essa discrepância compromete a qualidade do cuidado,
a segurança do paciente, o vínculo terapêutico e a percepção de dignidade e pertencimento,
refletindo a ineficácia das políticas de acessibilidade linguística no
cotidiano dos serviços. Conclui-se pela necessidade urgente de implementação
plena do Decreto nº 5.626/2005, com investimentos em formação em Libras
para profissionais de saúde, ampliação da oferta de intérpretes e fortalecimento
de estratégias de educação em direitos para a comunidade surda.



Resumo Inglês:

This article analyzes the communication barriers faced by deaf people in public
health services, based on the perceptions of students from the National Institute
of Deaf Education (INES) regarding the care received in the Unified Health
System (SUS) and in the institution’s Medical and Dental Division (DIMO/
INES). The study adopted a mixed quantitative–qualitative, descriptive-analytical
approach, through the application of structured questionnaires to 50
deaf students who are SUS users, aged 18 or older. The results reveal profound
communicational inequality: 98% of participants are unaware of Decree No.
5,626/2005, and 100% state that the health professionals who assisted them do
not have proficiency in Brazilian Sign Language (Libras), with the presence of
interpreters in services being virtually nonexistent. The comparison between
care settings shows a significant contrast: at DIMO/INES, all students reported
adequate understanding of their complaints, whereas in the SUS only three indicated
satisfactory understanding by professionals. This discrepancy compromises
the quality of care, patient safety, the therapeutic bond, and perceptions
of dignity and belonging, reflecting the ineffectiveness of linguistic accessibility
policies in everyday service delivery. The study concludes that there is an urgent
need for full implementation of Decree No. 5,626/2005, with investments in
Libras training for health professionals, expansion of interpreter availability,
and strengthening of rights education strategies for the deaf community.