Este artigo resulta de uma pesquisa sobre o acesso, a permanência e o êxito dos sujeitos em situação de vulnerabilidade socioeconômica no Ensino Médio Integrado, abordando as políticas públicas institucionais e o papel da escola no acolhimento e na formação desses indivíduos. As políticas públicas são fundamentais para a promoção de ações voltadas à redução das desigualdades sociais inerentes a uma sociedade mergulhada na dualidade estrutural, resultante da força capitalista que domina os sujeitos e os condiciona à dependência. As condições de acesso, permanência e êxito na educação não são iguais para todos, evidenciando que as mudanças ocorridas integram um projeto de sociedade baseado nos interesses hegemônicos. O artigo evidencia os desafios que os sujeitos em situação de vulnerabilidade socioeconômica (como as pessoas desvalidas de fortuna e os indivíduos de baixa renda, bem como indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência) enfrentam no acesso, na permanência e no êxito no Ensino Médio Integrado. Aborda-se ainda o papel que o ensino médio e a educação profissional desempenham na vida do estudante inserido nesse contexto de dualidade estrutural, em que a educação, que deveria ser um caminho para a transformação social e um mecanismo de emancipação dos sujeitos, está subordinada a um sistema de dominação que se apoia em esferas políticas e institucionais para moldá-la aos interesses das elites. Essa subordinação compromete o fazer pedagógico criativo e autônomo voltado para uma prática social transformadora, cedendo lugar a instrumentos de mensuração pedagógica e indicadores de avaliação externa. Apesar de todos os entraves, o Ensino Médio Integrado, como política de Educação Profissional e Tecnológica, tem grande potencial se for implementado de forma efetiva, principalmente para aqueles que estão à margem dos direitos sociais.