O presente artigo investiga a relação entre o ensino escolar de História e os meios digitais de difusão do conhecimento histórico, tomando como foco o Canal Nostalgia do YouTube e seu impacto sobre alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Marcílio Dias, em São Paulo. A pesquisa buscou compreender como o interesse discente por conteúdos audiovisuais sobre temas históricos — como ditadura civil-militar, escravidão e nazismo — influencia as dinâmicas de sala de aula, tensionando o papel do professor como mediador do saber histórico. O estudo parte da hipótese de que a apropriação de narrativas midiáticas do passado, embora amplie o contato dos jovens com a História, também introduz visões simplificadas e ideológicas que desafiam a prática pedagógica. Metodologicamente, trata-se de uma investigação qualitativa, baseada na observação de aulas, análise de relatórios produzidos por estudantes e exame detalhado de quatro vídeos do Canal Nostalgia. O referencial teórico ancora-se nas discussões de História Pública, cultura escolar e forma escolar, articulando autores como Malerba (2017), Zahavi (2011), Almeida e Rovai (2011) e Leme (2018). Conclui-se que o espaço digital se constitui como arena de disputas de memória e produção de sentido histórico, exigindo que o ensino de História incorpore criticamente essas novas linguagens, transformando a sala de aula em espaço de diálogo entre a cultura escolar e a cultura digital.