Este artigo, configurado como revisão bibliográfica analítico-crítica, examina a tensão estrutural entre a racionalidade instrumental que organiza a oferta de tecnologias avaliativas e a racionalidade pedagógica dialógica que define a efetividade da avaliação formativa. Articulando referenciais internacionais consolidados (Black e Wiliam, Hattie, Sadler), produção crítica recente sobre IA em educação (Selwyn, Williamson, Luckin, Mollick) e a tradição brasileira de avaliação (Luckesi, Hoffmann), o trabalho percorre os fundamentos teóricos do feedback efetivo, sistematiza a taxonomia de ferramentas e analisa as transformações impulsionadas pela inteligência artificial generativa. Como contribuição teórica, propõe-se o framework da Arquitetura Pedagógica Formativa Tecnologicamente Mediada (APFTM), que articula cinco dimensões interdependentes (diagnóstica, dialógico-temporal, de agência e autorregulação, ético-algorítmica e de reversibilidade pedagógica) pelas quais se avalia se determinada configuração tecnológica sustenta ou descaracteriza a operação formativa. Sustenta-se que tecnologias digitais operam como amplificadores condicionais da avaliação formativa, cuja potência depende da arquitetura pedagógica em que se inscrevem, sem substituir os processos dialógicos e relacionais que sustentam sua efetividade. Conclui-se que a pergunta pedagogicamente relevante não é "que ferramentas adotar", mas "que arquitetura torna determinada adoção tecnológica efetivamente formativa", reposicionamento relevante para o contexto educacional brasileiro.