Boys will be boys...: o momento musical como espetáculo de masculinidades dissidentes

Lumina

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Telefone: (32) 2102-3601
ISSN: 19814070
Editor Chefe: Gabriela Borges Martins Caravela
Início Publicação: 31/05/2007
Periodicidade: Quadrimestral
Área de Estudo: Comunicação

Boys will be boys...: o momento musical como espetáculo de masculinidades dissidentes

Ano: 2025 | Volume: 19 | Número: 3
Autores: Luiz Fernando Wlian
Autor Correspondente: Luiz Fernando Wlian | [email protected]

Palavras-chave: musical genre, musical moment, masculinity, affect and performance, classical hollywood cinema, musical moment, masculinity, affect and performance, classical hollywood cinema

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O presente texto investiga de que maneira o gênero musical, no interior do cinema clássico hollywoodiano, pode operar como território de encenação de masculinidades dissidentes. A partir do conceito de momento musical em Herzog (2010), com aportes de Laing (2000), Del Río (2008), Cohan (2002) e Neale (1993), propõe-se uma análise do filme Sinfonia de Paris (1951), com foco no corpo e na performance de Gene Kelly. Longe de se restringir à narrativa romântica heterossexual do filme, o momento musical instaura uma lógica espaço-temporal própria, em que o corpo masculino que canta e dança se converte em espetáculo visual, atravessado por afetos que escapam à masculinidade hegemônica. Argumenta-se que é precisamente a música — em sua potência coreográfica, expressiva e sensorial — que cria as condições para a irrupção de um espetáculo de masculinidade disruptiva, insinuando outras formas de ser, de desejar e de aparecer em cena. Por fim, sugere-se que o musical hollywoodiano clássico, ainda que sustentado por narrativas normativas e cis heterossexuais, abriga tensões e ambivalências que, justamente pela música, permitem que o corpo masculino performe para além das prescrições do discurso hegemônico



Resumo Inglês:

The presente text investigates how the musical genre within classical Hollywood cinema can operate as a site for the staging of dissident masculinities. Drawing on Herzog’s (2010) concept of the musical moment, as well as contributions from Laing (2000), Del Río (2008), Cohan (2002), and Neale (1993), it proposes an analysis of An American in Paris (1951), focusing on Gene Kelly’s body and performance. Far from being restricted to the film’s heterosexual romantic narrative, the musical moment establishes its own spatiotemporal logic, in which the male body that sings and dances is transformed into a visual spectacle, traversed by affects that elude hegemonic masculinity. It is argued that is precisely music – through its choreographic, expressive, and sensorial potential — that creates the conditions for the emergence of a spectacle of disruptive masculinity, suggesting other ways of being, desiring, and appearing on screen. Finally, it is suggested that classical Hollywood musicals, despite being grounded in normative, cis-heterosexual narratives, harbor tensions and ambivalences that, precisely through music, enable the male body to perform beyond the prescriptions of hegemonic discourse.