A indústria da música é complexa e competitiva, e o cenário é ainda mais difícil para profissionais mulheres e de gênero dissidente. A brecha de gênero é um desafio, mas iniciativas públicas e privadas mobilizam esforços para modificar o cenário. Uma iniciativa, atuante há onze anos no país, é o Girls Rock Camp Brasil (GRCB). Destinado a meninas de sete a dezessete anos, seu objetivo é o empoderamento feminista usando a música como ferramenta por meio de práticas coletivas. Ao longo de uma semana, meninas de sete a dezessete anos formam bandas e realizam tarefas juntas; praticam um instrumento (bateria, baixo, guitarra, teclado ou voz), escrevem uma canção, ensaiam e fazem um show ao vivo; também criam nome, logotipo e figurino para o grupo. O projeto mobiliza centenas de voluntárias, e o rápido preenchimento de inscrições chama a atenção. Devido a esse potencial mobilizador e ao seu ar transgressor, esta pesquisa se concentra em analisar o GRCB e propor aproximação entre este e a máquina de guerra, conceito filosófico proposto por Gilles Deleuze e Félix Guattari (1997), entendendo o Camp como uma poderosa e imaginativa forma de confrontar o status quo na indústria musical.