Camille Claudel: a superdotação ofuscada pela desigualdade de gênero

Cadernos de Gênero e Diversidade

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ISSN: 25256904
Editor Chefe: Felipe Bruno Martins Fernandes
Início Publicação: 31/12/2015
Periodicidade: Trimestral
Área de Estudo: Ciências Humanas, Área de Estudo: Antropologia, Área de Estudo: Sociologia, Área de Estudo: Multidisciplinar, Área de Estudo: Multidisciplinar

Camille Claudel: a superdotação ofuscada pela desigualdade de gênero

Ano: 2022 | Volume: 8 | Número: 3
Autores: A. M. Souza, V. L. Reis, B. B. Zamonel, C. A. Rondini
Autor Correspondente: C. A. Rondini | [email protected]

Palavras-chave: Superdotação, Artes, Gênero, Sexualidade

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

A superdotação é comumente associada à genialidade e a áreas tradicionalmente valorizadas no contexto escolar -, linguagem, matemática e ciências, não sendo tão apreciada em outros campos do saber, como a arte. Tal fator, em conjunto com a inferiorização da mulher pela sociedade, corrobora para a invisibilidade de mulheres com superdotação artística. Objetivou-se, portanto, descrever os desafios enfrentados pela escultora francesa Camille Claudel (1864 – 1943) e analisar suas características sob a ótica da superdotação do tipo produtivo-criativo de Joseph Renzulli. Por meio de estudo exploratório, narrativo, com delineamento bibliográfico, foram elencados manuscritos (artigos, livros e/ou capítulos) sobre a artista, suas características, contexto social do século XIX e os desafios enfrentados por ela. Os resultados mostram que Camille Claudel possuía facilidade em criar, transformar, moldar e modificar objetos; infere-se que sua inteligência assentava-se no domínio espacial e apresentava superdotação na área produtivo-criativo com genialidade artística, todavia, às mulheres de sua época era negado o acesso ao mundo da Arte, exceto como discípulas dos artistas homens. Claudel produziu esculturas grandiosas, mas Auguste Rodin nunca deu os devidos créditos a ela; com a saúde mental comprometida e no forçado anonimato, morreu num asilo aos 79 anos. O texto descortina a urgência de mais estudos e debates sobre: a relação superdotação, gênero e arte; a problemática de uma sociedade machista; a desmitificação da superdotação; o reconhecimento de mulheres superdotadas.