A tecnologia nuclear tornou-se um ativo fundamental durante os séculos XX e XXI por seus usos pacíficos, mas principalmente por suas aplicações bélicas. Sua relevância no cenário internacional fez com que vários países centrais buscassem restringir o acesso a esse conhecimento, especialmente por meio de uma arquitetura de governança global, mas também pela construção de imaginários e discursos sobre o papel subordinado que os países menos desenvolvidos deveriam ocupar. A posse de submarinos convencionais com propulsão nuclear (CNPS) tem feito parte dessas discussões. No entanto, é possível notar certas contradições nos imaginários e discursos acadêmicos dos países centrais sobre quais Estados sem armas nucleares são mais ou menos confiáveis quando se trata de obter CNPS. Este artigo analisa várias percepções acadêmicas e políticas dos projetos CNPS da Austrália e do Brasil a partir de uma perspectiva geopolítica crítica e conclui que, apesar de ter uma extensa história nuclear, o projeto do Brasil, um país semiperiférico, é fortementecontestado no nível discursivo, enquanto o da Austráliarecebeu apoio, pois atende principalmente aos interessesgeopolíticos ocidentais de conter a China.
La tecnología nuclear se ha tornado en un activo fundamental durante los siglos XX y XXI por sus usos pacíficos, pero primordialmente por sus aplicaciones bélicas. Su relevancia en el escenario internacional ha generado que varios países centrales procuren restringir el acceso a estos conocimientos, especialmente a través de una arquitectura de gobernanza global, pero también por medio de la construcción de imaginarios y discursos sobre el rol supeditado que deben ocupar países menos desarrollados. La posesión de submarinos convencionales de propulsión nuclear (CNPS) ha formado parte de estas discusiones. Sin embargo, es posible notar ciertas contradicciones por parte de los imaginarios y discursos académicos provenientes de países centrales con respecto a qué países no poseedores de armas nucleares son más o menos confiables al momento de obtener CNPS. Este artículo aborda el análisis de varias percepciones académicas y políticas en torno a los proyectos de CNPS de Australia y Brasil desde una perspectiva de geopolítica crítica y concluye que a pesar de contar con una trayectoria extensa en materia nuclear, el proyecto de Brasil, un país semiperiférico, es fuertemente cuestionado a nivel discursivo mientras que el australiano ha recibido apoyo, puesto que sirve principalmente a los intereses geopolíticos occidentales de contención de China.