Considerações sobre o ethos e a morfoestilística na poética de Manoel de Barros

Guavira Letras

Endereço:
Avenida Ranulpho Marques Leal, 3484 - Distrito Industrial II
Três Lagoas / MS
79613-000
Site: http://www.guaviraletras.ufms.br
Telefone: (67) 3509-3701
ISSN: 1980-1858
Editor Chefe: Kelcilene Grácia-Rodrigues
Início Publicação: 01/08/2005
Periodicidade: Trimestral

Considerações sobre o ethos e a morfoestilística na poética de Manoel de Barros

Ano: 2016 | Volume: 12 | Número: 22
Autores: Antonio Carlos Silva de Carvalho, Guaraciaba Micheletti
Autor Correspondente: A. C. S. de Carvalho, G. Micheletti | [email protected]

Palavras-chave: ethos, estilo, léxico, expressividade, Manoel de Barros

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O escopo deste artigo é discutir questões relativas ao ethos e à morfoestilística em Manoel de Barros; para tanto, selecionamos como corpus poemas de livros variados do autor, sem preocupação específica com ordem cronológica. Como doutrina, valemo-nos de estudos sobre estilística (MARTINS, 2003), discurso (AMOSSY, 2014), literatura (TELES, 1972), dentre outros, e, particularmente, do trabalho de análise linguístico-literária de Grácia-Rodrigues (2006) — que aborda de forma ampla o fazer poético manoelino e do qual destacamos excertos para apreciação. Alguns resultados obtidos são: i) o ethos do enunciador pantaneiro guarda características discursivas que precedem ao ethos aristotélico; ii) a exploração dos recursos morfológicos como a prefixação é um traço altamente distintivo dessa poética; iii) a convergência é um conceito facilmente aplicável à obra manoelina, o que aponta para um projeto estético coerentemente arquitetado. Podemos concluir que o ethos na poética barreana guarda um sentido etimológico anterior ao do aristotélico, em virtude de sua busca pelo primevo, e que a morfoestilística concorre de maneira decisiva para a construção de uma poesia original, caracterizada por uma expressividade calcada na fragmentação e no sentido de negatividade.



Resumo Inglês:

This paper aims to discuss issues related to the ethos and morpho-stylistics in Manoel de Barros, and to this end, we have selected poems from various books by the author as its corpus; without specific concern for chronological order. As a doctrine, we have drawn on the studies of stylistics (MARTINS, 2003), discourse (AMOSSY, 2014), literature (TELES, 1972), among others, and, particularly, on the work of linguistic and literary analysis by Gracia-Rodrigues (2006) – broadly addressing Manoel de Barros’s poetics, of which we highlight excerpts for consideration. Some of the results obtained are: i) Manoel de Barros’s ethos keeps discursive features that precede the Aristotelian ethos; ii) the exploitation of morphological resources such as prefixation is a highly distinctive feature of this poetics; iii) convergence is an easily applicable concept to Barros’s work, which points out to a consistently designed aesthetic project. It can be concluded that the ethos in Manoel de Barros’s poetics holds an earlier etymological sense than the Aristotelian ethos, in that it seeks for the primeval one, and that morpho-stylistics contributes decisively toward the construction of original poetry characterized by expressiveness based on fragmentation and in the sense of negativity.