O presente trabalho aborda a literatura indígena contemporânea no Brasil como prática estética, política e epistemológica de resistência, destacando o poema “Território Ancestral” da poeta indígena Márcia Kambeba. O texto poético toma como foco o corpo, a terra e a memória, que se articulam sob a perspectiva do feminismo decolonial e das Epistemologias do Sul, questionando a colonialidade de gênero e o apagamento de saberes indígenas. O objetivo geral é compreender como o poema ressignifica os conceitos de corpo-território, feminismo decolonial e memória ancestral, contribuindo para afirmar a literatura indígena como espaço de fala e produção de conhecimento. Metodologicamente, a pesquisa adota a abordagem qualitativa, baseada em revisão integrativa da literatura e análise interpretativa do poema, dialogando com autoras como Federici, Lugones e Spivak, além de Boaventura de Sousa Santos. Conclui-se que o poema em pauta transforma a dor colonial em voz-práxis coletiva, deslocando o “eu” para o “nós” enquanto reivindica o território como fundamento ontológico da existência indígena. A obra afirma o corpo da mulher indígena como território sagrado de resistência e reexistência, contribuindo para a descolonização dos corpos, dos saberes e das narrativas.