A história da conquista do Tawantinsuyu – termo quéchua utilizado para referenciar o território dos incas – foi tema de inúmeros trabalhos. Apoiados por fontes quinhentistas, genericamente denominadas de “Crônicas de Ãndiasâ€, os historiadores ou aqueles que se ocuparam do tema, pelo menos até meados do século XX, preocupavam-se com a tentativa de reconstituição da história da conquista tal e como havia se passado “realmenteâ€. Essa historiografia, devedora do positivismo, também se ocupara da questão da autenticidade do documento, de sua legitimidade, e buscou traçar algumas classificações dessas crônicas agrupando-as segundo critérios distintos: cronológico, pelo assunto a que se dedicam e pela nacionalidade, profissão e etnia do cronista. Essas classificações apresentam alguns problemas, pois existem cronistas e crônicas que não se encaixam em nenhuma delas, o que torna difÃcil a fixação de uma categoria indiscutÃvel para essas fontes. Os relatos que apresentamos neste artigo compartilham da caracterÃstica comum de terem sido escritos por homens que vivenciaram os fatos que narram, ou seja, a conquista do Tawantinsuyu, mas obviamente, não optamos por seguir nenhuma classificação. Isso porque estamos cientes de que não se trata de um corpo documental homogêneo, já que, entre outras coisas, esses relatos foram escritos com diferentes intuitos, para leitores diversos e seus escritos refletem tais divergências. Ao final do texto incorporamos um Apêndice Documental que apresenta cronologicamente informações detalhadas sobre as primeiras fontes publicadas sobre o processo de conquista do Império Inca.