Crer que se crê: o Pós-Deus como condição necessária para a fé

Pesquisas em Teologia

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ISSN: 2595-9409
Editor Chefe: Prof. Dr. Abimar Oliveira de Moraes
Início Publicação: 05/12/2018
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Teologia

Crer que se crê: o Pós-Deus como condição necessária para a fé

Ano: 2021 | Volume: 4 | Número: 8
Autores: Flavio José de Paula
Autor Correspondente: F. J. Paula | [email protected]

Palavras-chave: Pós-Deus, Pós-modernidade, Fé

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

A ideia de Deus, por muito tempo, foi identificada com uma compreensão metafísica da realidade. A entrada do pensamento helênico no cristianismo desistorizou os acontecimentos centrais da revelação e os transformou em categorias ontológicas, fato que chegou ao seu cume no pensamento escolástico, sobretudo nas chamadas provas da existência de Deus, seja com Santo Anselmo, seja com Santo Tomás de Aquino. Tal compreensão do absoluto, no entanto, entrou em crise, principalmente a partir do anúncio de Nietzsche de que Deus está morto e da interpretação heideggeriana deste evento em termos de fim da metafísica. Com o fim da crença nesta estrutura do real, abre-se novamente a possibilidade de se crer, não no sentido forte do termo, isto é, de ter a certeza absoluta de que a totalidade da realidade é algo objetivável, mas ao menos no sentido fraco, do “crer que se crê”, enquanto possibilidade de retorno à ideia do Deus bíblico. A partir do fim da Modernidade, entra-se em um tempo que se pode chamar de pós-Deus, pós-metafísico, e, por isso mesmo, em um tempo de superação do discurso hermético, e, consequentemente, de abertura ao Deus revelado em Jesus.



Resumo Inglês:

The idea of God, for a long time, was approached with a metaphysical understanding  of  eality.  The  entry  of  Hellenic  thought  into  Christianity dehistoricized  the  undamental  events  of  revelation  and  converted  them  into ontological categories, reaching its peak in Scholastic thought, especially in the so-called proofs of the existence of God, whether ith St. Anselm or with St. Thomas Aquinas. This  understanding of absolute,  however, ame  into crisis, especially after Nietzsche’s announcement that God is dead and eidegger’s interpretation of this event in terms of the end of Metaphysics. From the end the belief in this structure of the real, the possibility of believing arises again, not  in  the  strong  sense  of the  term:  the  absolute  certainty  that  the  totality  of reality is something objectifiable, but, at lea st, in the weak sense of “believing  that you believe” as a possibility of returning to the idea of biblical God. From the  end  of  Modernity,  we  enter  a  time  that  can  be  called  After  God,  post - metaphysical, and, for that very reason, a time of overcoming her metic speech, and consequently, opening to the revealed God in Jesus.