Versão original: CARRINGTON, Kerry; HOGG, Russell; SOZZO, Máximo. Southern Criminology. The British Journal of Criminology, Volume 56, nº 1, Jan-2016. P. 1–20, Disponível em: https://doi.org/10.1093/bjc/azv083.
Tradução
Camila Cardoso de Mello Prando, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7518-8939.
Eduarda Toscani Gindri, Universidade de Brasília, Distrito Federal, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1773-8004.
Este artigo pretende tratar de questões fundamentais da política e da pesquisa criminológica no Sul Global, as quais possuem repercussões importantes para as relações Sul/Norte e para justiça e segurança global. A existência de uma estrutura teórica capaz de entender essa dinâmica global contribuirá para que a Criminologia se torne capaz de compreender melhor os desafios do presente e do futuro. Neste artigo usaremos o termo “Criminologia do Sul” em um sentido reflexivo (e não redutor) para elucidar relações de poder presentes nas hierarquias da produção da pesquisa criminológica que privilegiam teorias, pressupostos e métodos baseados amplamente nas especificidades empíricas do Norte Global. Nossa proposta não é negar os acúmulos teóricos e empíricos na Criminologia, mas decolonizar e democratizar o repertório disponível de conceitos, teorias e métodos criminológicos. Este artigo analisa três projetos distintos que poderiam ser desenvolvidos sob a rubrica da Criminologia do Sul como forma de ilustrar o modo pelo qual ela pode contribuir para oferecer respostas mais qualificadas para a segurança e a justiça global. Isto inclui levar em consideração, em primeiro lugar, certas formas e padrões de crimes específicos da periferia global; em segundo lugar, padrões distintos das relações entre criminalidade e gênero no Sul Global, moldados por diversos fatores culturais, sociais, religiosos e políticos; e, por fim, as diversas penalidades históricas e contemporâneas do Sul Global e as relações históricas com o colonialismo e o imperialismo.