Este trabalho analisa os modos de produção da alteridade no jornalismo, sob a premissa de que este opera como dispositivo disciplinar que controla, rege e regula as representações da diferença. Defendemos, aqui, que a alteridade –duplo lógico do eu/nós, capaz de tensionar processos de identificação e pertencimento –é questão central nas narrativas de informação, estando sujeita aos padrões que configuram o ethos jornalístico. Para isso, discutimos e relacionamos os conceitos de discurso e disciplina (Foucault, 1996; 2001), as teorias sobre o acontecimento e a marcação dos fatos (Sodré, 2009) e questões de poder, linguagem e discursividade no jornalismo (Gomes, 2000; 2003; 2006; 2009). Ao fim, identificamos que a investigação das narrativas jornalísticas dealteridade deve capturar aspectos da estruturação e circulação dos discursos, a fim de evidenciar processos de tradução e marcação do outro que operam na configuração de modos de ver grupos sociais.
This work analyzes the modes of production of alterity in journalism, based on the premise that it operates as a disciplinary device that controls, governs and regulates the representations of difference. We argue that alterity –the logical double of the self, capable of tensioning processes of identification and belonging –is a central issue in information narratives and is subject to the standards that configure the journalistic ethos. We discuss and relate the concepts of discourse and discipline (Foucault, 1996; 2001), theories on the event and the marking of facts (Sodré, 2009) and issues of power, language and discursivity in journalism (Gomes, 2000; 2003; 2006; 2009). Finally, we identified that the investigation of journalistic narratives of alterity must capture aspects of the structuring and circulation of discourses, in order to highlight processes of translation and marking of the other that operate in the configuration of ways of seeing social groups.
Este trabajo analiza los modos de producción de la alteridad en el periodismo, bajo la premisa de que ésta opera como un dispositivo disciplinario que controla, gobierna y regula representaciones de la diferencia. Sostenemos aquí que la alteridad –el doble lógico del yo/nosotros, capaz de tensionar los procesos de identificación y pertenencia –es una cuestión centralen las narrativas informativas, sujeta a los estándares que configuran el ethos periodístico. Discutimos y relacionamos los conceptos de discurso y disciplina (Foucault, 1996; 2001), el acontecimiento y la marcación de los hechos (Sodré, 2009) y cuestiones de poder, lenguaje y discursividad en el periodismo (Gomes, 2000; 2003; 2006; 2009). Identificamos que la investigación de narrativas periodísticas de alteridad debe capturar aspectos de la estructuración y circulación de los discursos, resaltando procesos de traducción y marcación del otro que operan en la configuración de las formas de ver los grupos sociales.