O que se propõe neste artigo é demonstrar a decoloniadade nos Poemas da recordação e outros movimentos, de Conceição Evaristo; e Metade Cara, Metade Máscara, de Eliane Potiguara. O termo decolonial, utilizado neste artigo, será percebido como uma luta contra a colonialidade do poder, a que os povos indígenas e negros são submetidos na modernidade. A pesquisa bibliográfica e interpretativa será desenvolvida tendo como base a análise de poemas dessas duas escritoras contemporâneas, de modo a verificar em suas obras poéticas a diáspora negra e indígena, em que prevalece o protagonismo da voz feminina. Nas obras das duas escritoras estão presentes a denúncia de mais de quinhentos anos de vozes silenciadas pela violência e escravidão. Elas textualizam a realidade em torno das relações entre o colonizador e colonizado e os efeitos do colonialismo no mundo contemporâneo, que trataremos, conforme Quijano (2005), como colonialidade do poder. A escrita dessas mulheres, ancorada na ancestralidade, traz à superfície do texto a história do colonizador para destoar dessa história ao enfatizar o protagonismo da mulher negra e indígena. Há em suas poéticas uma luta pela transformação de realidades injustas e o estudo dessa insurgência nas letras dessas mulheres é pertinente ao estudo da literatura contemporânea, a inclusão dos olhares femininos de mulheres subalternizadas. Para situarmos teoricamente este estudo, utilizaremos como base, principalmente, os estudos de Quijano (2005) e Mignolo (2020).