A possibilidade de pensar o corpo para além do viés biológico tem contribuído não somente para compreender justificativas discriminatórias que oprimem sujeitos (como o racismo e o sexismo), mas também, para evidenciar o corpo como resultado da cultura. Esse artigo, parte de uma dissertação de mestrado, objetiva apresentar a partir de apontamentos teóricos, elementos que contribuem para a compreensão do corpo como construção cultural, relacionado às questões de gênero. Por vezes, a sociedade naturaliza questões que são culturalmente construídas, gerando desigualdades e hierarquias. Dispor do corpo para criar distinções entre os sexos e atribuir funções a partir disso, contribui para que hierarquias sejam justificadas, reforçando, por exemplo, as relações de gênero que ocorrem na sociedade, estas que se desdobram em vários segmentos, tais como o mercado de trabalho, a família, instituições de ensino, dentre outros.