Objective. Investigou-se a presença de genomas de arbovírus em amostras de líquido cefalorraquidiano (LCR) de crianças com suspeita de infecção neurológica viral, utilizando métodos moleculares e associando os resultados com manifestações clínicas neurológicas e análise do LCR. Métodos. Estudo transversal que incluiu amostras de LCR de 184 crianças e adolescentes com idades compreendidas entre 1 dia e 18 anos, com testes microbiológicos negativos no LCR. Foram efetuados testes para identificação de genomas de arbovírus no LCR. Resultados. Entre as 184 amostras de LCR, genoma dos vírus dengue (DENV) e zika (ZIKV) foram encontrados em 44/184 (23,9%) (IC 95% 17,7%-30,1%). Entre essas amostras, 26/44 (59%) foram positivas para DENV, 17/44 (38,6%) para ZIKV e, em 1/44 (2,3%), foi observada coinfecção DENV+ZIKV. De 67 pacientes com suspeita de sepses, 23,9% apresentaram positividade no LCR; entre os 26 casos de meningites, 11,5% tiveram resultados positivos; em 22 hidrocefalias, 22,7% foram positivas; em 20 com convulsão, 25% tiveram LCR positivo; em 4 com encefalite, 25% foram positivas; em 5 com hipertensão intracraniana, 60% foram positivas; em 1 em cada 3 casos, 33,3% apresentaram positividade para neurite e meningoencefalite; os 2 com síndrome de Guillain-Barré foram positivos. Pleocitose ocorreu em 25% dos casos positivos. Devido à ausência de diagnóstico, o uso de antibiótico foi realizado em 56,8% dos pacientes. Encontramos a presença de infecção neurológica pelo ZIKV e DENV em crianças em um período após o surto, enfatizando a circulação do vírus, mesmo após um período de maior incidência da doença. A maioria das amostras positivas não apresentou alterações bioquímicas marcantes no LCR. Conclusão. Os testes moleculares no LCR de crianças com doenças neurológicas contribuem para a identificação da etiologia viral, levando a uma menor utilização de antibióticos desnecessários e reduzindo o tempo de internamento hospitalar.
Objective. To investigate the presence of arbovirus genomes in cerebrospinal fluid (CSF) samples from children suspected of viral neurological infection, associating the results with clinical manifestations and analyzing the CSF. Methods. The cross-sectional study included CSF samples from 184 children and teenagers aged 1 day to 18 years old, with negative CSF microbiology tests. Molecular tests were carried out to detect arboviruses in the CSF. Results. Among 184 children, the genome of dengue (DENV) and zika (ZIKV) viruses were found in 44 CSF samples (23.9%) (CI 95% 17.7%-30.1%). Among those samples, 59% were positive for dengue virus, 38.6% for ZIKV, and 2.3% coinfection of DENV plus ZIKV was observed. In 67 patients with suspected infection/sepsis, 23.9% of CSF samples were positive; among 26 meningitis, 11.5% had positive results; in 22 hydrocephaly, 22.7% were positive; in 20 with convulsion, 25% had CSF positive, in 4 with encephalitis 25% were positive; in 5 intracranial hypertension, 60% were positive; 1 in 3 cases, 33.3% each, presented with neuritis and meningoencephalitis were positive; the 2 Guillain-Barré syndrome were positive. Pleocytosis occurred in 25% of positive cases, and antibiotics were used in 56.8%. We found a positivity of neurological infection by ZIKV and DENV in children even after the outbreak. Most positive samples did not show biochemical changes in the CSF. Conclusion. Molecular tests in CSF of children with neurological conditions contribute to the identification of the viral etiology, leading to less use of unnecessary antibiotics and reducing hospital stays.
Keywords: arboviruses; dengue; zika; children; molecular detection; central nervous