Este estudo teve por finalidade estimar prevalências e desigualdades de indicadores de saúde mental entre adolescentes brasileiros e investigar sua relação com fatores escolares e comportamentais, utilizando dados secundários da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2019). Trata-se de inquérito transversal, analítico, com amostragem complexa em dois estágios e representatividade nacional de estudantes de 13 a 17 anos (n=125.123), no qual os desfechos foram sentimentos autorreferidos nos últimos 30 dias e as exposições incluíram sexo, faixa etária, vitimização por provocações entre pares, uso de telas (televisão e tempo sentado) e atividade física acumulada. As estimativas descritivas foram obtidas com ponderação amostral e testes de Wald; a PeNSE não mede horas de sono, sendo a discussão contextualizada com evidências da PNS/2019 e do ERICA. Observou-se elevada frequência de sofrimento psíquico, com destaque para “muita preocupação” (50,6%; meninas 59,8% vs. meninos 41,1%; 16-17 anos 56,8% vs. 13-15 anos 47,2%) e “tristeza frequente” (31,4%; meninas 44,9% vs. meninos 17,5%). A vitimização por provocações foi recorrente (23,0%), com gradiente por sexo e idade (meninos 20,4% e meninas 27,7% em 13-15; meninos 17,8% e meninas 24,2% em 16-17). No comportamento sedentário, mais da metade referiu tempo sentado >3 horas/dia (meninos 51,9%; meninas 54,3%), e 36,0% assistiram televisão >2 horas/dia, mais entre 13-15 do que 16-17 anos; a prática física suficiente (≥300 min/semana) foi menor entre meninas (18,0% vs. 38,5% em meninos). Conclui-se que a carga de sofrimento psíquico é alta e inequitativa por sexo e idade, articulando-se a bullying, sedentarismo e baixa atividade física; recomenda-se uma agenda multicomponente na escola e na atenção primária, com promoção de estilos de vida saudáveis, prevenção do bullying e fluxos de triagem e cuidado em saúde mental, além do monitoramento contínuo em ciclos subsequentes da PeNSE.