Qual é o sujeito da teoria queer no Brasil? Quem são os corpos abjetos de que se fala e quem são os sujeitos produtores desse saber profano? A partir da proposta descolonizadora de autoras feministas decoloniais, propõe-se pensar o queercontra hegemonicamente, o que isso significa ir além das críticas à dicotomia de gênero e à sua fixidez, para enxergar as outras hierarquias fundadas no colonialismo e no racismo e que desumanizam os sujeitos em razão da sua raça/etnia, gênero, sexualidade e classe social, que promovem a histórica colonização dos corpos dissidentes. Ao analisar a recepção da teoria queer na América Latina e no Brasil, seus deslocamentos e traduções, sugere-se uma outra genealogia descolonizada para o queer. Conclui-se que esse saber, dito subversivo, não foge à matriz eurocêntrica de produção do conhecimento, reiterando um sistema colonial de sujeição epistêmica e silenciando as corporalidades dissidentes.