A Síntese de Indicadores Sociais do IBGE sempre focou as desigualdades educacionais, olhando pela perspectiva censitária da PNAD Contínua, acrescentando contribuição muito relevante, para além das avaliações vinculadas ao MEC (Ideb, Enem etc.). Nesta fornada, foi contemplado o impacto da pandemia na educação, um mérito formidável, elevando incrivelmente a utilidade pública do IBGE. A pandemia não está sendo só uma crise sanitária, mas infiltra-se em todo o tecido social e econômico do país, também na educação. Vou apontar críticas à posição do IBGE, cuja visão é muito comum entre educadores, mas, antes de mais nada é o caso aclamar a iniciativa. O problema inicial é que o foco está no “acesso à escola” das crianças e adolescentes de 4 a 17 anos, por decisão constitucional (IBGE, 2021:73). O impacto foi generalizado, mas é mais preocupante na rede pública, onde estão por volta de 80% da matrícula da educação básica. Isto intensificou as desigualdades históricas, porque atingiu a capacidade de propor atividades alternativas internas e externas, em função das realidades de acesso a tais atividades por alunos com características distintas socioeconômicas e tecnológicas. Estar na escola pode não ser grande coisa, se o aprendizado adequado for residual, como é quase sempre o caso (Demo & Shigunov Neto, 2021).