Fundamento: gestações em fases mais adiantadas da vida podem associar-se a hipertensão arterial sistêmica crônica e hipertrofia ventricular esquerda, ocasionando
aumentos nas taxas de morbimortalidade cardiovascular. Objetivos: avaliar a eficácia do eletrocardiograma na identificação de gestantes hipertensas crônicas portadoras de
hipertrofia ventricular esquerda. Métodos: foram estudadas 80 gestantes no 3º trimestre de gestação. Utilizou-se a quantificação ecocardiográfica da massa ventricular
esquerda como padrão-ouro para o diagnóstico de hipertrofia miocárdica, sendo considerado o ponto de corte de 122 g/m² como limite superior normal para massa ventricular
esquerda no 3º trimestre de gestação. Foram utilizados os critérios de Sokolow-Lyon, Lewis, Sokolow-Lyon-Rappaport, Gubner, Cornell, escore de pontos de Romhilt e Estes,
Grant, onda “R†de aVL > 11 mm, razão RV6 / RV5 > 1. Resultados: todos os critérios eletrocardiográficos analisados apresentaram baixa eficácia para o reconhecimento da
hipertrofia ventricular esquerda em gestantes hipertensas crônicas. Conclusões: apesar da ampla difusão do eletrocardiograma como recurso propedêutico, ao utilizá-lo
para a pesquisa de hipertrofia ventricular esquerda em gestantes hipertensas crônicas, deve-se considerar suas importantes limitações para essa finalidade.