Objetivo: Analisar os diferenciais de gênero na mortalidade por causas externas no Brasil, segundo evolução temporal, perfil epidemiológico e distribuição regional, no período de 2010 a 2024. Métodos: Estudo ecológico de série temporal, de abrangência nacional, utilizando dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS). Foram incluídos óbitos por causas externas classificados no Capítulo XX da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde – Décima Revisão (CID-10). Os dados foram agrupados em três quinquênios e analisados segundo sexo, grandes grupos de causas externas, faixa etária, raça/cor, escolaridade, estado civil, local de ocorrência, unidades federativas e grandes regiões. Resultados: Entre os homens, as agressões permaneceram como principal grupo de óbitos, embora sua participação tenha caído de 41,10% para 26,17%, enquanto cresceram as lesões autoprovocadas, outras causas acidentais e intervenções legais. Entre as mulheres, predominaram as outras causas externas de lesões acidentais, cuja participação aumentou de 31,16% para 41,23%. Observou-se envelhecimento do perfil dos óbitos em ambos os sexos, com aumento expressivo da participação de pessoas com 60 anos ou mais. Regionalmente, a mortalidade masculina permaneceu concentrada no Sudeste e Nordeste, enquanto a mortalidade feminina aumentou em praticamente todas as regiões. Conclusão: Os resultados evidenciam mudanças importantes nos padrões de mortalidade por causas externas segundo gênero no Brasil. Enquanto a mortalidade masculina permanece fortemente associada à violência, embora com redução proporcional das agressões, a mortalidade feminina apresenta crescente participação das causas acidentais e do envelhecimento. Esses achados reforçam a necessidade de políticas intersetoriais sensíveis ao gênero, voltadas à prevenção da violência, dos acidentes, do suicídio e das causas externas entre idosos.