Este artigo analisa o impacto formativo da experiência vivenciada por docentes do Instituto Federal do Amazonas, campus Maués, no desenvolvimento de uma turma do Curso Técnico de Nível Médio em Agroecologia, ofertado na modalidade EJA/PROEJA Indígena junto ao povo Sateré-Mawé, na comunidade Ilha Michiles, Terra Indígena Andirá-Marau. O estudo parte da compreensão de que a atuação em um contexto educacional indígena, organizado a partir da Pedagogia da Alternância, mobiliza deslocamentos na prática docente, especialmente no que se refere à relação entre conhecimentos colares, conhecimentos comunitários, interdisciplinaridade e formação profissional. A pesquisa, de abordagem qualitativa, foi realizada com professores que atuaram no curso entre os anos de 2018 e 2023. Para a geração dos dados, foram utilizadas observações, visitas de campo, roteiro de entrevistas semiestruturadas e análise de documentos institucionais. A interpretação dos dados foi conduzida com base na Análise Textual Discursiva, com atenção às narrativas docentes sobre suas experiências, desafios e aprendizagens no contexto do PROEJA Indígena. Os resultados indicam que a experiência contribuiu para a ampliação da dimensão formativa dos professores, favorecendo a reflexão sobre a própria prática, a valorização dos conhecimentos indígenas e comunitários, o trabalho interdisciplinar e a ressignificação das relações de ensino e aprendizagem. Conclui-se que a Pedagogia da Alternância, quando articulada às demandas territoriais, culturais e educativas dos estudantes indígenas, constitui não apenas uma estratégia de organização pedagógica, mas também um espaço de formação docente em serviço.