O presente trabalho propõe uma reflexão sobre as relações intertextuais entre música popular, audiovisual e o contexto histórico, por meio da análise da canção Turn! Turn! Turn! (The Byrds). O objetivo é compreender a "biografia social" dessa canção, conceito proposto por Mendívil (2013), demonstrando como ela adquire espessura simbólica e se vincula à memória coletiva das décadas de 1960 e 1970 e aos movimentos por direitos civis. A metodologia empregada articula revisão bibliográfica sobre o uso de canções (Fraile, 2014; Kassabian, 2001) e o gênero police procedural (Scaggs, 2005; Messent, 2013), com a análise da trajetória da canção através de um mapeamento de seus usos em produções de cinema e televisão estadunidenses. Esse exercício analítico mais abrangente permite, então, a análise da cena de desfecho do episódio A Time to Hate, do seriado Arquivo Morto, argumentando que o uso de Turn! Turn! Turn! na narrativa policial encontra um tipo de "devir" dessa biografia, operando como um dispositivo de ativação de memórias. Conclui-se que, ao articular a canção com os elementos visuais da cena, a narrativa confere à resolução do crime um sentido de redenção ética e reparação histórica, alinhando-se à lógica da copaganda (Baron, 2023) na reconstrução positiva da imagem das forças policiais.
This paper proposes a reflection on the intertextual relations between popular music, audiovisual media, and historical context through an analysis of the song Turn! Turn! Turn! (The Byrds). The objective is to understand the “social biography” of this song, a concept proposed by Mendívil (2013), demonstrating how it acquires symbolic density and becomes linked to the collective memory of the 1960s and 1970s and to civil rights movements. The methodology employed combines a bibliographic review on the use of songs (Fraile, 2014; Kassabian, 2001) and on the police procedural genre (Scaggs, 2005; Messent, 2013) with an analysis of the song's trajectory through a mapping of its uses in US film and television productions. This broader analytical exercise then enables an examination of the closing scene of the episode A Time to Hate, from the series Cold Case, arguing that the use of Turn! Turn! Turn! within the police procedural operates as a device for activating memories. It is concluded that, by articulating the song with the visual elements of the scene, the narrative gives the resolution of the crime a sense of ethical redemption and historical reparation, aligning itself with the logic of copaganda (Baron, 2023) in the positive reconstruction of the image of the police forces.