Este artigo analisa o papel do brincar na Educação Infantil como estrutura do desenvolvimento integral das crianças, destacando que as creches, antes vistas apenas como espaços de cuidado, configuram-se hoje como ambientes educativos que valorizam o brincar como linguagem e fundamento pedagógico. Fundamentado em Vygotsky, que evidencia a importância das interações sociais e das atividades mediadas no desenvolvimento das funções psicológicas superiores, em Kishimoto, que compreende o brincar como organizador das experiências infantis, e em Emmi Pikler, que defende o brincar livre, autônomo e profundamente ligado ao movimento espontâneo e à iniciativa da criança, o estudo discute vivências do Berçário e Minigrupo, como explorações sensoriais, circuitos motores, jogos simbólicos e interações entre pares. O objetivo geral consiste em compreender o brincar como elemento essencial da Educação Infantil e, como objetivos específicos, analisar seus fundamentos teóricos, observar sua manifestação no cotidiano das turmas pequenas e relacioná-lo às abordagens histórico‑cultural, lúdico‑pedagógica, pikleriana e às discussões contemporâneas sobre equidade e decolonialidade. Os resultados evidenciam que práticas lúdicas intencionais, fundamentadas, culturalmente situadas e sensíveis ao ritmo da criança promovem aprendizagens significativas e contribuem para o pleno desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e social nos primeiros anos de vida.