A imersão em ecossistemas digitais impõe o desafio de distinguir a complexidade da inteligência biológica da eficiência sintática dos sistemas contemporâneos de Inteligência Artificial (IA). Este estudo analisa os limites epistemológicos da IA e seus impactos sobre a autonomia intelectual, a educação e a sustentabilidade democrática. Adota-se uma metodologia de revisão integrativa e crítica da literatura, fundamentada na epistemologia da complexidade de Edgar Morin e desenvolvida sob uma perspectiva interdisciplinar que articula neurociência evolutiva, pedagogia crítica, filosofia da tecnologia e constitucionalismo digital. Os resultados indicam que a crescente delegação de funções intelectuais a sistemas automatizados pode favorecer processos de dependência cognitiva, enfraquecimento da agência humana e redução da reflexão crítica, especialmente em contextos educacionais mediados por plataformas digitais. Demonstra-se que a IA opera por inferência estatística e reconhecimento probabilístico de padrões, carecendo de intencionalidade, historicidade e experiência consciente. Conclui-se que, embora constitua ferramenta relevante de apoio à aprendizagem e à produção do conhecimento, a tecnologia não é capaz de substituir a mediação humana na atribuição de sentido, na deliberação ética e na construção experiencial do saber. A preservação da autonomia intelectual, da justiça cognitiva e da supervisão humana significativa sobre os sistemas algorítmicos constitui requisito essencial para assegurar a dignidade humana e a sustentabilidade democrática no âmbito do constitucionalismo digital.