Efeitos do exercício nas respostas moleculares e hormonais que induzem a lipólise

Revista Brasileira De Nutrição Funcional

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Início Publicação: 30/04/2010
Periodicidade: Trimestral
Área de Estudo: Nutrição

Efeitos do exercício nas respostas moleculares e hormonais que induzem a lipólise

Ano: 2018 | Volume: 38 | Número: 73
Autores: F. O. Catanho
Autor Correspondente: F. O. Catanho | [email protected]

Palavras-chave: Exercício físico, vias moleculares, hormônios, lipólise, emagrecimento

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O processo de emagrecimento tem gerado muito interesse tanto no universo da dietética quanto na atividade física, visto que os casos
de sobrepeso/obesidade vêm crescendo no Brasil e no mundo. Nesse contexto, sendo a atividade física regular e sistematizada uma
ferramenta não-farmacológica eficaz na prevenção e no tratamento contra o acúmulo excessivo de gordura corporal, faz-se fundamental
entender sua influência nos processos de “queima de gordura”. Esse processo complexo depende, entre outros, de um padrão de secreção
hormonal catabólica bem orquestrado pelo organismo, especialmente através dos hormônios contrarregulatórios. Essa sinalização
catabólica auxilia nos processos de mobilização, transporte e oxidação dos ácidos graxos, especialmente pelo músculo-esquelético, que
detém fibras musculares dotadas de muitas mitocôndrias e elevado potencial oxidativo. Nas fibras musculares, a ação hormonal auxilia
nos processos de ativação de vias moleculares que predispõe a biogênese mitocondrial, angiogênese e aumento na expressão/atividade
das enzimas oxidativas. Destas vias moleculares, destaque para as funções da AMPK (AMP-activated protein kinase) e da PGC-1α
(Peroxisome Proliferator-Activated Receptor-Gamma Coactivator-1 Alpha) que, junto de demais enzimas, favorecem os processos
adaptativos que potencializam a capacidade oxidativa do tecido. Para que esta ativação hormonal e das respectivas vias moleculares
aconteça com ênfase, são indicados especialmente os exercícios cíclicos (ou endurance, “aeróbicos”), tanto de forma contínua quanto
intermitente (High Intensity Interval Training – HIIT). Apesar disso, a literatura também tem reportado bons resultados provenientes
de metodologias de treinamento resistido (ou “força”, “musculação”), conferindo boa justificativa para o uso das metodologias que
combinam as capacidades de resistência e força (treinamento “combinado”, “misto” ou “concorrente”). Portanto, a condição estressora
causada pela atividade física, a despeito dos métodos de treinamento e das intensidades utilizadas, favorece a criação de um ambiente
degradativo de ácidos graxos durante e após o esforço, condição esta que pode ser potencializada por demais estressores orgânicos,
com destaque para o jejum (e.g. jejum intermitente) e/ou o rebaixamento das quantidades de carboidrato na dieta (e.g. dietas low-carb,
cetogênica, de pontos etc.). Logo, como as adaptações relacionadas à maior oxidação de ácidos graxos são processuais e conquistadas
a partir da repetição de comportamentos, tanto na atividade física quanto na dietética, é crucial a viabilização de estratégias que possam
garantir, acima de tudo, a aderência dos sujeitos envolvidos no processo.



Resumo Inglês:

The process of losing weight has generated much interest in both dietetic and physical activity worlds, since cases of overweight/obesity
have been growing in Brazil and around the world. In this context, since regular and systematized physical activity is an effective
non-pharmacological tool for prevention and treatment against excessive accumulation of body fat, it is essential to understand its
influence on the processes of "fat burning". This complex process depends, among others, on a pattern of catabolic hormone secretion
well orchestrated by the human body, especially through counterregulatory hormones. This catabolic signaling drives mobilization,
transport and fatty acids oxidation, especially by skeletal muscle, which holds muscle fibers endowed with a lot of mitochondria and
high oxidative potential. In muscle fibers, this hormonal action assists in molecular pathways activation processes that predispose to
mitochondrial biogenesis, angiogenesis and increase in the expression/activity of oxidative enzymes. Of these molecular pathways, the
functions of AMPK (AMP-activated protein kinase) and PGC-1α (Peroxisome Proliferator-Activated Receptor-Gamma Coactivator-1
Alpha), which, along with other enzymes, can induce adaptive process related to tissue oxidative capacity, should be highlighted. In order
for this hormonal activation and the respective molecular pathways to occur with emphasis, literature indicates mainly endurance/”aerobic”
exercise training, both continuously and intermittently (High Intensity Interval Training – HIIT). Despite this, literature has also
reported positive results from resistance training methodologies (or "strength", "bodybuilding"), giving a good justification for the use
of methodologies that combine endurance and strength abilities ("combined", "mixed" or "competitor "). Therefore, the stress caused by
physical activity, in spite of intensities and methodologies used, favors the creation of a catabolic environment of fatty acids during and
after the effort, a condition that can be potentiated by other organic stressors, such as fasting (e.g. intermittent fasting) and/or lowering
carbohydrates in diets (e.g. low-carb strategies, ketogenic diets, weight watchers etc.). Accordingly, as the adaptations related to the
greater oxidation of fatty acids are procedural and acquired from the behavior repetition, both in physical activity and in dietetic daily
habits, it is crucial to enable some strategies that can lead to and, above all, ensure adherence of the subjects involved in this process.