O uso da língua materna (L1) no ensino de uma língua estrangeira (L2) tem sido alvo de debates na linguística aplicada, oscilando entre abordagens que defendem sua exclusão total e aquelas que reconhecem seu papel como mediador cognitivo e afetivo. Esta revisão bibliográfica investiga a hipótese de que professores fluentes na L1 dos alunos podem potencializar a aprendizagem de L2, especialmente em contextos de ensino formal. Pesquisas nacionais (Celani, 2002; Pinto, 2013; Silva & Almeida, 2017) e internacionais (Cook, 2001; Cummins, 2007; Butzkamm, 2003) sugerem que o domínio da L1 pelo docente permite construir pontes linguísticas e culturais, facilitando a compreensão de estruturas complexas, reduzindo a ansiedade e promovendo um ambiente de aprendizagem mais inclusivo. Argumenta-se que a competência bilíngue do professor possibilita uma alternância de códigos estratégica (Levine, 2011) e a aplicação de práticas de translanguaging (García & Wei, 2014), que valorizam o repertório linguístico do aluno como recurso didático. Conclui-se que, quando utilizada de forma planejada e não excessiva, a fluência do professor na L1 do estudante favorece não apenas o desenvolvimento linguístico, mas também o engajamento e a motivação, resultando em uma aprendizagem mais efetiva.