O presente texto discute, a partir de uma perspectiva quali-quantitativa, o modelo de PPD (Parto Planificado em Domicílio) como prática de cuidadaníana Argentina, apresentando-o como um modelo social, político e jurídico passível de ser construído a partir de práticas de cuidado, nesse caso, aquelas relativas aos processos reprodutivos femininos. A análise quantitativa se baseia em um relevamento sobre nascimentos realizados na modalidade PPD na Argentina entre os anos 2000 e 2018. A análise qualitativa se sustenta com o trabajo interpretativo das narrativas de duas mulheres, também co-autoras deste texto, observando as particularidades de seus partos e a construção de suas subjetividades no marco desses processos. Em primeiro lugar, destaca-se que nos casos de PPD estudados predomina a construção vincular de uma lógica de “cuidados”, sendo pouco significativo o índice registrado de práticas de violência obstétrica. Em segundo lugar, indagamos nas limitações e potencialidades do modelo PPD no contexto de uma cuidadania inclusiva, colocando a necessidade de instrumentalizar alternativas para estabelecer um diálogo assíduo com o modelo hospitalar, médico hegemônico e oficial. Finalmente, argumentamos que o PPD sob estudo se apresenta como uma alternativa desejável, segura e significativa desde a perspectiva das mulheres que o têm escolhido.