Elaeis guineensis Jacq. (dendezeiro): aspectos ecofisiológicos, socioambientais, sustentabilidade. Análise da produção e impactos ambientais no período de 2000 a 2025

Revista OWL (OWL Journal)

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ISSN: 2965-2634
Editor Chefe: Avaetê de Lunetta e Rodrigues Guerra
Início Publicação: 03/04/2023
Periodicidade: Trimestral
Área de Estudo: Multidisciplinar

Elaeis guineensis Jacq. (dendezeiro): aspectos ecofisiológicos, socioambientais, sustentabilidade. Análise da produção e impactos ambientais no período de 2000 a 2025

Ano: 2026 | Volume: 4 | Número: 5
Autores: Marcia Cristina Braga Nunes Varricchio, Marcos Tadeu Varricchio, Nicole Delaunay de Souza, Alexandre dos Santos Pyrrho, Flávio Augusto de Freitas, Paulo Sergio Torres Brioso, Isabel Cristina Souza Dinóla, Simone da Silva, Edson Pablo da Silva
Autor Correspondente: Marcia Cristina Braga Nunes Varricchio | [email protected]

Palavras-chave: Elaeis guineensis, óleo de palma, alimento funcional, produção agrícola mundial, biocombustíveis, sustentabilidade

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O dendezeiro (Elaeis guineensis Jacq.), espécie de palmeira da África Ocidental e principal fonte mundial de óleo de palma, é originário do Golfo da Guiné. É a oleaginosa de maior produtividade do mundo, capaz de produzir entre 3 e 8 toneladas de óleo por hectare por ano. Devido as suas propriedades químicas — rica em carotenoides, tocoferóis e tocotrienóis —, é amplamente empregado como alimento funcional. Esta revisão sistemática analisou a literatura científica publicada entre 2000 e 2025, abrangendo aspectos botânicos, eco fisiológicos, bromatológicos, produtivos, industriais e socioambientais da espécie, conforme as diretrizes PRISMA. A busca bibliográfica foi conduzida nas bases SciELO, Scopus, Web of Science, Google Scholar, EMBRAPA/ALICE, Portal CAPES, FAO e USDA, com estratégia booleana combinando os termos Elaeis guineensis, óleo de palma, palm oil e biodiesel, resultando na inclusão de 52 estudos. A produção mundial superou 79 milhões de toneladas métricas no ano agrícola 2023/24, representando crescimento de 229% desde 2000, sob domínio de Indonésia (~59,7%) e Malásia (~24,1%). A espécie apresenta produtividade de 2,93 t/ha de óleo, 6,3 vezes superior à da soja. No Brasil, o Pará concentra mais de 88% da área cultivada (~236 mil hectares), norteada pelo ZAE-Dendê (Decreto n. 7.172/2010). A expansão global está associada a desmatamento, perda de biodiversidade e emissões de gases de efeito estufa, especialmente no Sudeste Asiático. Certificações como RSPO, ISPO e MSPO representam iniciativas de mitigação. Avanços em melhoramento genético — especialmente o hibrido interespecífico E. guineensis x E. oleifera (OxG) resistente ao Amarelecimento Fatal — e em biotecnologia de tecidos ampliam o potencial produtivo sustentável da espécie. Adicionalmente, a valorização de resíduos lignocelulósicos e minerais da cadeia produtiva aponta para uma plataforma integrada de biorrefinaria. Conclui-se que o cultivo sustentável de E. guineensis e viável mediante adoção de boas práticas agrícolas, uso de terras degradadas e monitoramento continuo, configurando vetor estratégico para a bioeconomia brasileira.