O dendezeiro (Elaeis guineensis Jacq.), espécie de palmeira da África Ocidental e principal fonte mundial de óleo de palma, é originário do Golfo da Guiné. É a oleaginosa de maior produtividade do mundo, capaz de produzir entre 3 e 8 toneladas de óleo por hectare por ano. Devido as suas propriedades químicas — rica em carotenoides, tocoferóis e tocotrienóis —, é amplamente empregado como alimento funcional. Esta revisão sistemática analisou a literatura científica publicada entre 2000 e 2025, abrangendo aspectos botânicos, eco fisiológicos, bromatológicos, produtivos, industriais e socioambientais da espécie, conforme as diretrizes PRISMA. A busca bibliográfica foi conduzida nas bases SciELO, Scopus, Web of Science, Google Scholar, EMBRAPA/ALICE, Portal CAPES, FAO e USDA, com estratégia booleana combinando os termos Elaeis guineensis, óleo de palma, palm oil e biodiesel, resultando na inclusão de 52 estudos. A produção mundial superou 79 milhões de toneladas métricas no ano agrícola 2023/24, representando crescimento de 229% desde 2000, sob domínio de Indonésia (~59,7%) e Malásia (~24,1%). A espécie apresenta produtividade de 2,93 t/ha de óleo, 6,3 vezes superior à da soja. No Brasil, o Pará concentra mais de 88% da área cultivada (~236 mil hectares), norteada pelo ZAE-Dendê (Decreto n. 7.172/2010). A expansão global está associada a desmatamento, perda de biodiversidade e emissões de gases de efeito estufa, especialmente no Sudeste Asiático. Certificações como RSPO, ISPO e MSPO representam iniciativas de mitigação. Avanços em melhoramento genético — especialmente o hibrido interespecífico E. guineensis x E. oleifera (OxG) resistente ao Amarelecimento Fatal — e em biotecnologia de tecidos ampliam o potencial produtivo sustentável da espécie. Adicionalmente, a valorização de resíduos lignocelulósicos e minerais da cadeia produtiva aponta para uma plataforma integrada de biorrefinaria. Conclui-se que o cultivo sustentável de E. guineensis e viável mediante adoção de boas práticas agrícolas, uso de terras degradadas e monitoramento continuo, configurando vetor estratégico para a bioeconomia brasileira.