A formação urbana de Araguaína (TO) está profundamente relacionada aos fluxos migratórios nordestinos do século XX, os quais contribuíram para a constituição de dinâmicas socioterritoriais marcadas por desigualdades. Nesse contexto, o estudo aborda a relação entre migração, gênero e raça, com ênfase nas experiências de mulheres negras migrantes. O objetivo é analisar de que modo essas trajetórias participam da produção da territorialidade urbana, bem como compreender suas práticas cotidianas e formas coletivas de uso da água como bem comum. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter bibliográfico e documental, ancorada em referenciais da geografia crítica e dos estudos interseccionais. Os resultados evidenciam que essas mulheres, mesmo em contextos de vulnerabilidade, constroem redes de sociabilidade, estratégias de sobrevivência e práticas coletivas, como o uso compartilhado da água, que configuram formas de resistência e organização social. Conclui-se que tais práticas são centrais na produção do espaço urbano, contribuindo para a compreensão das territorialidades e para o reconhecimento de saberes historicamente invisibilizados.