O objetivo deste estudo foi analisar os significados atribuídos a formação continuada implícitas em três documentos relativos à Residência Pedagógica e nos discursos dos professores que participavam do programa do Colégio Pedro II. Para tanto, recorremos à Teoria da Argumentação, proposta por Perelman e Olbrechts-Tyteca, conforme a Nova Retórica, buscando nos discursos aquilo que legitima condutas e que torna coerente aquilo que efetivamente é falado e defendido. A pesquisa qualitativa empreendida utilizou como técnicas de investigação análise documental e entrevistas semiestruturadas. O material coletado foi tratado com base no Modelo da Estratégia Argumentativa fundamentado na Teoria da Argumentação. Essa análise permitiu afirmar que os sujeitos envolvidos nessa pesquisa estão ancorados na histórica fragilidade da formação inicial que não prepara o professor para o exercício da docência e para a realização de seu trabalho, sendo necessária ser complementada por outra modalidade de formação, a formação continuada. A Residência Docente uma destas modalidades, não tem conseguido promover mudanças significativas no trabalho dos professores residentes, uma vez que parece reproduzir o modelo da formação inicial: observações e reflexões ao longo do programa, deixando a prática pedagógica em segundo plano. Ainda não é através da formação continuada que o professor desenvolverá sua prática: é possível que isso seja feito durante a formação inicial, como as políticas públicas de formação de professores para atuarem na Educação Básica, em especial nos anos iniciais do Ensino Fundamental indicam e os currículos das licenciaturas ensejam, ao proporem que a prática docente perpasse todos os períodos da formação inicial, estando articulada à teoria. O que contribui para que a efetiva prática não aconteça é que esta continua fortemente assentada na observação e na reflexão sobre a prática, fazendo com que o futuro professor ainda não vivencie a realidade de uma sala de aula.