Neste artigo, analisamos, em perspectiva teórica e metodológica, a noção de escrevivência, formulada por Conceição Evaristo, como estratégia política de resistência que permite às populações negras assumirem o controle de suas narrativas. O objeto de análise é o documentário Além de PRETO, VIADO (2017), que aborda experiências de homens negros e gays para refletir sobre opressões individuais e coletivas. Defendemos que a escrevivência reconfigura epistemologias coloniais ao valorizar vozes historicamente subalternizadas, especialmente de mulheres negras, mas também aplicável a outras interseccionalidades. Essa noção articula passado e presente, promovendo reflexão sobre experiências vividas e abrindo possibilidades de construção coletiva de futuros. Concluímos que, ao integrar memória, agência e dimensão coletiva das vivências negras e LGBTQIAPN+, a escrevivência se consolida, no cinema negro, como ferramenta de resistência, criação e transformação social e estética.
In this article, we analyze, from a theoretical and methodological perspective, the notion of "escrevivência" (a term coined by Conceição Evaristo) as a political strategy of resistance that allows Black populations to take control of their narratives. The object of analysis is the documentary Além de PRETO, VIADO (2017), which addresses the experiences of Black and gay men to reflect on individual and collective oppressions. We argue that "escrevivência" reconfigures colonial epistemologies by valuing historically subjugated voices, especially those of Black women, but also applicable to other intersectionalities. This notion articulates past and present, promoting reflection on lived experiences and opening possibilities for the collective construction of futures. We conclude that, by integrating memory, agency, and the collective dimension of Black and LGBTQIAPN+ experiences, "escrevivência" is consolidated in Black cinema as a tool for resistance, creation, and social and aesthetic transformation.
En este artículo, analizamos, desde una perspectiva teórica y metodológica, la noción de "escrevivência" (término acuñado por Conceição Evaristo) como una estrategia política de resistencia que permite a las poblaciones negras tomar el control de sus narrativas. El objeto de análisis es el documental Além de PRETO, VIADO (2017), que aborda las experiencias de hombres negros y homosexuales para reflexionar sobre las opresiones individuales y colectivas. Sostenemos que la "escrevivência" reconfigura las epistemologías coloniales al valorar las voces históricamente subyugadas, especialmente las de las mujeres negras, pero también aplicable a otras interseccionalidades. Esta noción articula pasado y presente, promoviendo la reflexión sobre las experiencias vividas y abriendo posibilidades para la construcción colectiva de futuros. Concluimos que, al integrar la memoria, la agencia y la dimensión colectiva de las experiencias negras y LGBTQIAPN+, la "escrevivência" se consolida en el cine negro como una herramienta de resistencia, creación y transformación social y estética.