Este artigo propõe reflexões sobre a voz insubmissa de Eliane Potiguara, em sua obra Metade Cara, Metade Máscara (2019). Ela foi precursora com o poema A Terra é a mãe do índio (1989), que a consagrou como primeira mulher indígena a publicar no Brasil. Criou o grupo GRUMIN – organização de mulheres indígenas. Lutou contra o preconceito, a ditadura e os direitos das mulheres indígenas. O seu ativismo político, seu grito contra as discriminações, o encontro com sua ancestralidade, alinham-se com a poeticidade de seu canto. O diálogo proposto envolve a luta pela democracia e direito à voz indígena por meio da escritura poética contra a subalternização desses povos. Potiguara resgata sua identidade indígena e arma-se com sua escrita e ancestralidade na exposição da história de luta dos povos indígenas. Sua narrativa reflete sobre os quinhentos anos de invasão e silenciamento. O Movimento Indígena rompe com o silenciamento e traz à superfície a luta de um povo relegado à margem. Faz-se necessária uma outra compreensão dos povos indígenas a partir de suas próprias vozes. A partir da importância da obra, busca-se evidenciar como a produção literária indígena contribui para a defesa da democracia e dos direitos humanos, e traz fissuras na literatura por contar um outro lado da história, rompendo com a “história única” (Adichie, 2019). Este trabalho tem como aporte teórico-pedagógico um estudo bibliográfico, de cunho qualitativo. Esta proposta está fundamentada, principalmente, na perspectiva da escrita de indígenas, por escritores como Daniel Munduruku (2019), Graça Graúna (2013), dentre outros.