O avanço tecnológico e a popularização das mídias digitais transformaram profundamente a forma como crianças se relacionam com o mundo, afetando suas experiências cognitivas, emocionais e sociais. Nos últimos anos, a presença das telas tornou-se quase onipresente no cotidiano infantil, alcançando até mesmo bebês em seus primeiros meses de vida. Este artigo busca refletir criticamente sobre os impactos do uso precoce e excessivo das telas no desenvolvimento infantil, especialmente em suas dimensões neurológicas, afetivas e relacionais. A partir de uma abordagem teórico-argumentativa, sustentada em autores como Piaget, Vygotsky, Daniel Siegel e Sherry Turkle, discute-se de que maneira a exposição contínua às telas compromete processos fundamentais de construção do pensamento, linguagem e empatia. Também são analisados os fatores sociais e culturais que naturalizam esse uso, destacando o papel da família e da escola frente a esse desafio. Defende-se, por fim, que a mediação consciente e o equilíbrio no uso das tecnologias são caminhos possíveis para promover um desenvolvimento saudável em um mundo cada vez mais digitalizado.