O artigo analisa o filme Detachment – O substituto – (2011), de Tony Kaye, tomando a escola como metáfora de uma crise social e existencial marcada pela ausência de vínculos e pela melancolia docente. Do ponto de vista teórico-metodológico, o estudo articula contribuições da Psicologia Escolar e Educacional com a Filosofia e a Literatura, mobilizando diferentes autores. O enfoque recai sobre o mal-estar docente, a despersonalização (KOGA et al., 2015) e a fadiga da compaixão (JOINSON, 1992), bem como sobre a violência simbólica (BOURDIEU, 1989) e a precarização (STANDING, 2017). A análise demonstra que a trajetória do protagonista Henry Barthes, professor substituto, encarna tanto traumas pessoais quanto os limites estruturais da escola contemporânea. Cenas emblemáticas — como o suicídio da aluna, a explosão da psicóloga e a invisibilidade do colega professor — expõem dimensões do sofrimento psíquico e institucional. Conclui-se que Tony Kaye se recusa a uma narrativa redentora dos dramas escolares hollywoodianos e, em seu lugar, oferece uma poética do desencanto. Palavras-chave: Psicologia Escolar. Despersonalização. Fadiga da compaixão. Precarização.