Este artigo investiga como as tecnologias midiáticas e a plataformização da cultura reconfiguram a escuta musical contemporânea. Partindo do debate entre as perspectivas de Benjamin, que enxerga a distração como uma adaptação necessária ao mundo moderno, e Adorno, que critica a superficialidade na audição, analisa-se a tensão entre concentração e distração na experiência musical. Articulam-se essas reflexões com o conceito de “escuta adequada” de Stockfelt, que propõe um mecanismo dinâmico de alternância entre atenção focada e desatenção momentânea. O trabalho adota uma abordagem teórico-crítica, apoiada em fontes da teoria crítica, estudos de plataformas digitais e pesquisas em neurociência cognitiva (Ophir et al., 2009; Moisala et al., 2016; Uncapher; Wagner, 2018), que demonstram como o multitasking fragmenta a atenção e compromete o controle cognitivo. Como estudo de caso, analisamos a obra de Hans Zimmer, cujas trilhas sonoras exemplificam o tensionamento entre uma recepção imersiva e o consumo fragmentado. Concluímos que a escuta musical no século XXI está marcada por um regime de desatenção estrutural, consolidado como paradigma dominante da fruição estética na era digital, moldado por interfaces e algoritmos
This article investigates how media technologies and the platformization of culture reconfigure contemporary musical listening. Drawing on the debate between the perspectives of Benjamin—who understands distraction as a necessary adaptation to the modern world—and Adorno—who criticizes the superficiality of listening— the article examines the tension between concentration and distraction in the musical experience. These reflections are connected to Stockfelt’s concept of “adequate listening,” which proposes a dynamic mechanism of alternating between focused attention and momentary inattention. The study adopts a theoretical-critical approach, supported by sources in critical theory, digital platform studies, and cognitive neuroscience research (Ophir et al., 2009; Moisala et al., 2016; Uncapher and Wagner, 2018), which demonstrate how multitasking fragments attention and undermines cognitive control. As a case study, we analyze the work of Hans Zimmer, whose soundtracks exemplify the interplay between immersive reception and fragmented consumption. We conclude that musical listening in the twenty-first century is characterized by a regime of structural inattention, consolidated as a dominant paradigm of aesthetic enjoyment in the digital age, shaped by interfaces, platforms, and algorithms that increasingly mediate cultural experience