Escutas do mundo: paisagens sonoras, sinfonias cósmicas e cosmopolitismo no cinema

Lumina

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Telefone: (32) 2102-3601
ISSN: 19814070
Editor Chefe: Gabriela Borges Martins Caravela
Início Publicação: 31/05/2007
Periodicidade: Quadrimestral
Área de Estudo: Comunicação

Escutas do mundo: paisagens sonoras, sinfonias cósmicas e cosmopolitismo no cinema

Ano: 2025 | Volume: 19 | Número: 3
Autores: Lucca Nicoleli Adrião, Angela Freire Prysthon, Bruno Mesquita Malta de Alencar
Autor Correspondente: Lucca Nicoleli Adrião | [email protected]

Palavras-chave: cinema, trilha sonora, paisagem sonora, geografia da imaginação, cosmopolitismo, soundtrack, soundscape, geography of imagination, cosmopolitanism

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Este artigo propõe uma reflexão sobre as relações entre música, paisagem sonora e geografia no cinema moderno e contemporâneo, a partir da escuta como operador estético e político. Tomando como ponto de partida o conceito de “geografia da imaginação” (Davenport, 1981), são analisadas as formas pelas quais a trilha sonora contribui para compor paisagens sensoriais e cosmopolitas em três cineastas de distintas origens e contextos históricos: Il Vangelo secondo Matteo (1964), de Pasolini; Puissance de la parole (1988), de Godard; e The Nine Muses (2010), de Akomfrah. Em cada caso, a montagem musical convoca geografias afetivas, deslocamentos culturais e ruínas da história, operando como escuta do mundo e como cartografia da experiência. Em Pasolini, há um sincretismo religioso a partir da escolha do sul italiano para a encarnação bíblica e da seleção de músicas de diferentes origens para compor a trilha sonora, evidenciando como a paisagem – visual e sonora – pode ser mobilizada como signo histórico e espiritual; em Godard, por sua vez, encontramos uma sobreposição de sons a partir da qual o mundo natural converge com o futurismo das tecnologias modernas, e ambas encontram a arte de vanguarda e a publicidade no caminho, o que confere uma cosmicidade para a experimentação audiovisual; por fim, em Akomfrah, o seu trabalho com a montagem sonora aprofunda a investigação sobre os traumas e as estéticas da diáspora africana, especialmente no contexto britânico pós-colonial.



Resumo Inglês:

This article reflects on the relationships between music, soundscape, and geography in modern and contemporary cinema, focusing on listening as both an aesthetic and political practice. Drawing from the concept of the “geography of the imagination” (Davenport, 1996), it analyzes how soundtracks contribute to the construction of sensory and cosmopolitan landscapes in films by three directors from distinct origins and historical contexts: Il Vangelo secondo Matteo (1964) by Pier Paolo Pasolini, Puissance de la parole (1988) by Jean-Luc Godard, and The Nine Muses (2010) by John Akomfrah. In each case, musical montage evokes affective geographies, cultural displacements, and the ruins of history, functioning as a form of listening to the world and as a cartography of experience. In Pasolini, there is a religious syncretism that emerges from the choice of southern Italy as the setting for biblical incarnation and from the selection of music from diverse origins to compose the soundtrack, highlighting how the landscape - both visual and sonic - can be mobilized as a historical and spiritual sign. In Godard, in turn, we find a layering of sounds through which the natural world converges with the futurism of modern technologies, and both encounter avant-garde art and advertising along the way, which lends a sense of cosmicity to audiovisual experimentation. Finally, in Akomfrah, his work with sound montage deepens the investigation into the traumas and aesthetics of the African diaspora, especially within the post-colonial British context.