O presente artigo intenta esboçar algumas reflexões sobre a instauração de marcas territoriais (monumentos e memoriais) na paisagem urbana a partir do caso do Memorial aos Judeus Assassinados da Europa, sito em Berlim, Alemanha. Na esteira dos trabalhos de Rudy Koshar (2000), Dominic La Capra (1983, 2001), Michael Pollak (2006), entre outros, procurase compreender as linhas de força que constituem “paisagens da memória” sobre eventos históricos de caráter traumático e coletivo e sua relação com políticas de memorização oficial. Estas paisagens são compostas por marcas territoriais específicas, fruto de apostas de significação mnemônica por agentes públicos e privados, sujeitas ao êxito ou ao fracasso. O Monumento aos Judeus Assassinados da Europa surge como idéia na Alemanha no final da década 80 e concretiza-se entre os anos de 2003 e 2005, agenciando, ao longo deste período, diversas discussões e polêmicas na esfera pública daquele país. Após o mapeamento sistemático destas discussões, procurar-se-á elucidá-las à luz dos referenciais supracitados, atendo-se a significação deste monumento numa teia de outros locais significativos da metrópole alemã.