A fenomenologia do processo da gravura

Tríades em Revista

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ISSN: 19840071
Editor Chefe: Dra. Vera Lúcia Nojima
Início Publicação: 22/06/2016
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Ciências Sociais Aplicadas, Área de Estudo: Multidisciplinar

A fenomenologia do processo da gravura

Ano: 2023 | Volume: 12 | Número: Não se aplica
Autores: Raquel Ponte
Autor Correspondente: Raquel Ponte | [email protected]

Palavras-chave: gravura, fenomenologia, peirce, engraving, phenomenology

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Os processos de gravura foram inventados ao longo da história da humanidade como forma de permitir a reprodução seriada de impressos (Cardoso, 2008). Em todos eles, seja na xilogravura, na gravura em metal ou na litografia, podemos observar o uso de matrizes, cujas imagens são transferidas para algum suporte, por contato. Essa essência da gravura evidencia o caráter de segundidade presente no processo, tema já abordado por Abello (2019) e por Santaella e Nöth (2008), que também a classificam como uma técnica do paradigma pré-fotográfico, mas que já antecipa características do fotográfico pela sua relação existencial com o objeto. O objetivo deste trabalho é ampliar o entendimento dos aspectos de segundidade da gravura, mas também ressaltar o que ela apresenta de terceiridade e de primeiridade, categorias da fenomenologia peirciana. Inicialmente, será apresentado o processo que torna a gravura um índice. A seguir veremos como a reprodutibilidade, essencial a estas técnicas, aponta para a terceiridade na medida em que pretende criar um conjunto de imagens semelhantes, mesmo na contemporaneidade, em que tais processos foram ultrapassados em termos de eficiência e rapidez pelas impressões industriais. Por fim destacaremos os aspectos de primeiridade, já que ainda que as reproduções visem ser, na maioria das vezes, o mais semelhantes possível, há mudanças progressivas entre elas por ser um processo analógico. Com isso evidenciaremos as coisas sem nome (Ibri, 2020) que habitam o campo da gravura e tornam cada reprodução única.



Resumo Inglês:

Engraving processes were invented throughout the history of humanity as a way of allowing the serial reproduction of printed materials (Cardoso, 2008). In all of them, woodcut printing, metal engraving and lithography, we can see the use of matrices, whose images are transferred to some support, by contact. This essence of engraving highlights the secondness nature present in the process, a topic already addressed by Abello (2019) and Santaella and Nöth (2008), who also classify it as a technique of the pre-photographic paradigm, but which already anticipates characteristics of the photographic by its existential relationship with the object. This paper aims to broaden the understanding of the secondness aspects of engraving, but also to highlight its third and first aspects, categories of Peircean phenomenology. Initially, the process that turns the engraving into an index will be presented. After that, we will see how reproducibility, essential to these techniques, points to thirdness as it aims to create a set of similar images, even in contemporary times, in which such processes have been surpassed in terms of efficiency and speed by industrial prints. Finally, we will highlight the aspects of firstness. Even though the reproductions aim to be, in most cases, as similar as possible between themselves, there are progressive changes between them as it is an analogue process. Therefore, we will highlight the nameless things (Ibri, 2020) that inhabit the field of engraving and make each reproduction unique.